Por um Forró Autêntico
terça-feira, 5 de julho de 2011
0 comentáriosAlgumas de Seu Lunga
sábado, 2 de julho de 2011
0 comentários
SEU LUNGA é um personagem folclórico nordestino, famoso pela sua ignorância quando fazem perguntas estúpidas. E aqui vai algumas das "histórias de Seu Lunga".
Seu Lunga estava na sua casa com sede. E manda seu sobrinho lhe trazer um pouco de leite. Daí o pobre do garoto pergunta:
-No copo Seu Lunga?
E seu Lunga responde - Não. Bota no chão vem empurrando com o rodo, fi de rapariga!!!
Seu Lunga estava no mercado com uma caixa de ovos. Daí perguntaram a ele:
-Comprando ovos Seu Lunga?
Dai Seu Lunga responde - Não - jogando um por um no chão - É traque de massa!!!
Seu Lunga estava passeando na calçada com o cachorrinho. E lhe perguntam:
- Passeando com o cachorrinho Seu Lunga???
E Seu Lunga respondeu - Não. É meu passarinho - pegando o pobre podle pela coleira e fazendo ele voar
Seu Lunga estava num restaurante tomando sopa quando perguntam pra ele:
-Tomando sopa Seu Lunga?
E seu lunga responde levantando o prato de sopa e esborrando-o em cima dele mesmo -Não, To tomando banho!!!!!!
O funcionário do banco veio avisar:
- Seu Lunga, a promissória venceu.
- Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória.
Seu Lunga vinha pela rua carregando um balde de leite quando na porta de sua casa a sua mulher pergunta:
- Home! É pra gente beber esse leite??
- NÃO, É pra lavar a calçada - Traz a vassoura, mulher! -E joga todo o leite no chão.
Um sujeito até a loja do Seu Lunga e pediu uma porca de determinado tamanho, seu Lunga respondeu:
- Procure naquela caixa.
E o sujeito começou a procurar e no meio de tantas peças nada de ele conseguir achar a porca que ele queria, então exausto falou para Seu Lunga:
- Seu Lunga, não consegui achar a porca...
Indignado, Seu Lunga foi até a caixa, procurou a tal porca e a achou, então virou-se para o rapaz e respondeu:
- Eu não te disse que a porca tava aqui fi duma égua!!! - e jogando a porca novamente na caixa e misturando com as outras peças diz - agora procura de novo direito que você acha!!!
O filho do Seu Lunga jogava futebol em um clube local, e um dia Seu Lunga foi assistir a um jogo de seu filho no estádio, e o sujeito sentado ao lado pergunta:
- Seu Lunga, qual dos jogadores ali é o seu filho.
Seu Lunga aponta e diz:
- É aquele ali...
- Aquele qual?
- Aquele ali!!!!
- Não tô vendo...
Então Seu Lunga "P" da vida pega uma pedra, joga em cima de seu filho e diz:
- É aquele alí que começou a chorar!!!
Seu Lunga entrando em uma agropecuária.
-Tem veneno pra rato?
-Tem!, Vai levar? - Pergunta o balconista.
-Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!!! responde seu Lunga.
Seu Lunga no elevador (no subsolo-garagem).
Alguem pergunta: Sobe?
Seu Lunga: -Não, esse elevador anda de lado.
Seu Lunga fumando um cigarro.
A pergunta: Ora, ora! Mas você fuma?
-Não, é que eu gosto de bronzear os pulmões...
Seu Lunga, quando jovem, se apresentou à marinha para a entrevista:
Você sabe nadar? Pergunta o oficial.
-Sei não senhor.
-Mas se não sabe nadar, como é que quer servir à marinha?
-Quer dizer que se eu fosse pra aeronáutica, tinha que saber voar!!
Seu Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:
Ta doente, seu Lunga?
- Quer dizer que seu fosse saindo do cemitério eu tava morto!!!
* Seu Lunga, quando era motorista de ônibus urbano,
um passageiro pergunta:
- Esse ônibus vai para a praia?
- Pode até ir, se você arranjar um biquíni que dê nele!
*****
* Um amigo passa; vê seu Lunga perto do cavalo e prendendo as esporas na bota:
Vai cavalgar, seu Lunga?
- Não, fi de quenga! Vou matar rato... Eu prendo o rato no c.. e dobro a perna pra trás, dando-lhe uma esporada...
*****
* O cliente chega pra comprar um relógio na loja de seu Lunga.
Pode tomar banho com esse relógio, seu Lunga?
- Ô corno! Isso é um relógio, não é um sabonete...
*****
* Seu Lunga chega em casa e vê sua esposa concentrada na leitura de um livro e com as pernas atravessando o vão da porta de entrada. Após alguns minutos ela levanta o olhar vê seu Lunga parado, com o celular na mão:
- Oh! Lunga, pelo amor de Deus, me desculpe! Venha! Passe!
- Pode ficar! Eu já chamei o pedreiro pra abrir outra porta!
*****
* Seu Lunga espremendo um limão no copo de Coca-Cola:
Alguém pergunta - Isso é limão, seu Lunga?
- Não, é o meu colírio. E pinga o limão no olho.
*****
* Seu Lunga chega em casa e as suas filhas estão lavando a sala.
- Pai, dá pra você pular a janela do quarto? Nós estamos lavando o chão da sala...
Seu Lunga sai “espumando” e a partir desse dia só entra em casa pulando pela janela do quarto.
*****
* Seu Lunga dava uma bela surra no filho e o menino gritava:
Ta bom, pai! Ta bom, pai! Ta bom, pai!
- Ta bom? Quando tiver ruim você me avisa, que eu paro.
*****
* O amigo de seu Lunga o cumprimenta:
- Olá, seu Lunga, ta sumido! Por onde tem andado?
- Pelo chão, não aprendi a voar ainda...
*****
* A filha de seu Lunga o vê deitado no sofá e pergunta:
- Tá dormindo, pai?
- Não, estou treinando pra morrer!
*****
* Na cerimônia de casamento, seu Lunga segura a mão da noiva e o padre pergunta:
- Você aceita Maria dos Prazeres como sua legítima esposa?
- Não, claro que não! Eu, minha noiva e os convidados viemos até a igreja pra jogar sinuca e tomar birita com o padre!...
*****
* A filha de seu Lunga chega bem tarde da noite com o namorado. Seu Lunga está esperando, furioso.
- Como o senhor se atreve a trazer minha filha uma hora dessas?
Aqui é casa de família e eu exijo respeito, seu cabra!
- Calma seu Lunga... eu não vou arrancar nenhum pedaço dela...
- Eu não estou preocupado com pedaço que você vai arrancar!
Eu estou preocupado é com o pedaço que você quer botar!
*****
* Seu Lunga está na rodoviária, acompanhado da esposa, três filhas e com cinco passagens na mão. Um conhecido passa e pergunta:
- E aí, seu Lunga! Como vai a família?
- Vai toda de ônibus! Você é cego, seu cachorro da moléstia?!
*****
* Seu Lunga chega na lanchonete.
- Quanto custa um café?
- Um real o copo, seu Lunga.
- E o açúcar?
- O açúcar é de graça...
- Então suspende o café e me dá dois quilos de açúcar!
*****
* Na década de 70, seu Lunga chega num bar e fala pro atendente:
- Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir!
- Desculpe seu Lunga, não posso botar música hoje...
- Mas por que??
- Meu avô morreu!
- E ele levou os discos, foi?
*****
* Durante a madrugada, a mulher do seu Lunga passa mal:
- Lunga! Ta me dando uma coisa...
- Receba!
- Mas é uma coisa ruim!
- Então devolva!!
Uma hora depois a mulher sente que vai morrer...
- Lunga! Eu to me indo!
- Quando sair fecha a porta!
*****
* Seu Lunga, quando jovem, já era ignorante. A namorada, vendo seus modos muito rudes, resolve tirar uma brincadeira para descontrair o ambiente e com um papel de balinha na mão, diz:
- Eu furo o seu olhinho!
- Fure! Que eu passo-lhe a mão no pé do ouvido!!
*****
Ao final da tarde seu Lunga vem chegando da roça, cansado, com a enxada nas costas, quando vê a sua filha encostada no muro da frente de casa, num beijo longo e apaixonado com o namorado. Seu Lunga passa sem dizer nada, chega na cozinha e berra:
Maria! Bota janta pra aqueles dois, que estão lá na área!
- Que besteira é essa, Lunga! Eles acabaram de lanchar!
- Nem parece! Tão comendo a boca um do outro!
*****
O telefone toca:
Seu Lunga - Alô!
- Bom dia! Mas quem está falando?
- Você!
*****
Seu Lunga viaja de ônibus e a poltrona ao seu lado está vazia.
Numa parada do percurso uma senhora entra no ônibus e chegando perto de seu Lunga pergunta: - Senhor! Nessa cadeira tem alguém sentado?
Seu Lunga olha para o lado e resmunga: - Se tiver eu to cego!
*****
Seu Lunga sobe numa cadeira para trocar a lâmpada, mas perde o equilíbrio e cai de costas no chão. A sua filha vem correndo com um copo de água gelada na mão: Toma pai, toma!
- Pra que essa água? Eu levei foi uma queda; eu não comi doce!
Música - Orgulho de Ser Nordestino
quinta-feira, 30 de junho de 2011
0 comentáriosOrgulho de Ser Nordestino - Flávio José
Além da seca ferrenha
Do chão batido e da brenha
O meu nordeste tem brio
Quer conhecer então venha
Que eu vou te mostrar a senha
Do coração do brasil
São nove estados na raiva
Todos com banho de praia
Num céu de anil e calor
São nove estados unidos
Crescentes fortalecidos
Onde o brasil começou
E hoje no calcanhar da ciência
Formam uma grande potência
Irrigando o chão que secou
É verdade que a seca inda deixa sequela
Mas foi aprendendo com ela
Que o nosso nordeste ganhou
Deixou de viver de uma vez de esmola
E foi descobrindo na escola
A grandeza do nosso valor
Eu quero é cantar o nordeste
Que é grande e que cresce
E você não conhece doutor
De um povo guerreiro, festivo e ordeiro.
De um povo tão trabalhador
Por isso não pise, viaje e pesquise.
Conheça de perto esse chão
Só pra ver que o nordeste
Agora é quem veste
É quem veste de orgulho a nação
Para Ouvir a Música Clique Aqui
Tribos Indígenas Nordestinas
segunda-feira, 27 de junho de 2011
0 comentáriosO Brasil possui 258 tribos indígenas, com uma população de aproximadamente 378 mil pessoas.
No Nordeste encontram-se 39 tribos, com 81 mil pessoas (21% do total Brasileiro). Destas:
- 15 tribos, infelizmente, já não falam mais sua própria língua
- 18 têm trabalho missionário evangélico: 17 em andamento e 1 trabalho emancipado, ou seja, o povo foi alcançado!
É o povo Urubu-Kaapor, do Maranhão e Pará. Eles são cerca de 800 pessoas e já têm o NT em sua própria língua.
Outras 21 tribos não têm nenhuma iniciativa missionária evangélica. Destas:
- 5 têm situação indeterminada (precisam de mais estudos)
- 10 têm trabalho somente católico
- 6 não têm qualquer presença cristã
Veja os detalhes:
Tribos do NE, Não-Alcançadas, sem presença missionária: (Nome, Estado, População)
- Jiripancó (AL/PE), 1.500
- Kantaruré (BA), 353
- Karapotó (AL), 796
- Kariri (CE/PE), ?
- Krejê (MA/PA), 30, tradução Bíblica necessária
- Pankaru (BA), 84
Tribos Nordestinas Não-Alcançadas, mas com trabalho evangélico em andamento:
- Guajá ((MA/PA/TO), 300, tradução em andamento
- Guajajara (MA), 15.000, NT na língua
- Gavião (do MA), 466, tradução numa língua similar
- Fulniô (PE), 5.000
- Kaimbé (BA), 1.270
- Kapinawá (PE), 2.500
- Kariri-Xocó (AL), 2.500
- Kiriri (BA), 1.401, existem convertidos, mas sem missionários
- Krikati (MA), 620, tradução em andamento
- Pankararé (BA), 1.500
- Pankararu (AL/PE/MG), 5.000
- Pataxó (BA/MG), 7.000
- Potiguara (PB), 7.575
- Tapeba (CE), 2.491
- Tremembé (CE), 3.500
- Tuxá (BA/PE), 1.630
- Xukuru (PE), 6.363
Tribos Nordestinas Não Alcançadas, mas com presença Católica
- Kambiwá (PE), 1.578
- Paiaku (CE), 220
- Pataxó-Hãhãhãe (BA), 1.865
- Pitaguari (CE), 871
- Tingui-Botó (AL), 350
- Truká (BA/PE), 1.333
- Tupinikim (BA/ES), 1.386
- Wassu (AL), 1.447
- Xocó (AL/SE), 250
- Xukuru-Kariri (AL/BA/MG), 1.820
Tribos com Situação Indeterminada em relação à Evangelização
- Kalankó (AL/PE), 230
- Karuazu (AL/PE), ?, precisa de tradução Bíblica
- Pipipã (PE), ?
- Tumbalalá (BA), 900
- Tupinambá (BA/PA), 1.200
É importante compreender que, do ponto de vista missionário, na perspectiva bíblica, para que uma nação (etnia/povo) seja considerada alcançada pelo Evangelho, não basta haver presença missionária, nem mesmo alguns convertidos.
Para que um povo seja alcançado é necessário haver uma igreja autóctone (nativa, formada pelo próprio povo) madura, isto é, capaz por si mesma de evangelizar o seu próprio povo.
Em outras palavras, precisa haver uma “igreja”, e esta deve ser:
a) auto-governada,
b) auto-sustentada, e
c) auto-propagadora.
Temos muito que agradecer, honrar e aprender do trabalho missionário pioneiro daqueles que se dedicaram totalmente, sacrificialmente, na grande parte das vezes, solitariamente, para levar o Evangelho a estes povos. Que o Senhor lhes recompense e que possam se alegrar em ver os frutos de seu trabalho!
A triste realidade, que nos desafia a continuar a orar e trabalhar, é que depois de mais de 100 anos de presença evangélica no Brasil, SOMENTE UMA tribo indígena Nordestina pode ser considerada alcançada!
Onde estávamos, como igreja, durante todos estes anos? para onde fomos? que estradas percorremos que nos afastaram de levar o Evangelho a estes que são nossa gente, nosso sangue, nossa mais legítima raíz! Onde estão aqueles que foram enviados pelo Senhor? ou pensamos que Ele não tem chamado ninguém para esta missão?
Onde estão as igrejas que enviarão novos missionários? que os sustentarão em oração e com recursos? A resposta é óbvia: Estamos aqui, a poucos quilômetros destas tribos…
Como igreja nordestina, é tempo de nos levantarmos em direção a estas tribos. Em nossas igrejas estão os vocacionados que completarão esta tarefa. Sobre nossos ombros repousa a responsabilidade de ouvir a voz de nosso Pastor, obedecer sua Palavra e honrar o exemplo de coragem e determinação daqueles que nos antecederam.
Como ouvirão, se não há quem pregue…?
E como pregarão, se não forem enviados?
Roguemos ao Senhor da seara que envie trabalhadores para sua seara!
Fonte: Teleios
Biografia do Padre Cícero - O Cearense do Século
Dados Pessoais
Padre Cícero Romão Batista nasceu em Crato (Ceará) no dia 24 de março de 1844. Era filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, conhecida como dona Quinô.
Aos seis anos de idade, começou a estudar com o Prof. Rufino de Alcântara Montezuma.
Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade, feito aos 12 anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales.
Em 1860, foi matriculado no Colégio do renomado Padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras-Paraíba. Aí pouco demorou, pois a inesperada morte de seu pai, vítima de cólera-morbo, em 1862, o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto da mãe e das duas irmãs solteiras.
A morte do pai, que era pequeno comerciante no Crato, trouxe sérios aperreios financeiros à família, de tal sorte que, mais tarde, em 1865, quando Cícero Romão Batista precisou ingressar no Seminário da Prainha em Fortaleza, só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma, o Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno.
Ordenação
Padre Cícero foi ordenado no dia 30 de novembro de 1870. Após sua ordenação retornou ao Crato, e enquanto o Bispo não lhe dava paróquia para administrar, ficou ensinando Latim no Colégio Padre Ibiapina, fundado e dirigido pelo Prof. José Joaquim Teles Marrocos, seu primo e grande amigo.
Chegada a Juazeiro
No Natal de 1871, convidado pelo Prof. Semeão Correia de Macêdo, Padre Cícero visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro (então pertencente a Crato), e aí celebrou a tradicional Missa do Galo.
O padre visitante, de 28 anos de idade, estatura baixa, pele branca, cabelos louros, olhos azuis penetrantes e voz modulada causou boa impressão aos habitantes do lugar. E a recíproca foi verdadeira. Por isso, decorridos alguns meses, exatamente no dia 11 de abril de 1872, lá estava de volta, com bagagem e família, para fixar residência definitiva no Juazeiro.
Muitos livros afirmam que Padre Cícero resolveu fixar morada em Juazeiro devido a um sonho (ou visão) que teve, segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia exaustivo, após ter passado horas a fio no confessionário do arraial, ele procurou descansar no quarto contíguo à sala de aulas da escolinha, onde improvisaram seu alojamento, quando caiu no sono e a visão que mudaria seu destino se revelou. Ele viu, conforme relatou aos amigos íntimos, Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembra a Última Ceia, de Leonardo da Vinci. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Ele apontou para os pobres e, voltando-se inesperadamente ordenou: E você, Padre Cícero, tome conta deles!
Apostolado
Uma vez instalado no lugarejo, formado por um pequeno aglomerado de casas de taipa e uma capelinha erigida pelo primeiro capelão Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, em honra de Nossa Senhora das Dores, Padroeira do lugar, ele tratou inicialmente de melhorar o aspecto da capelinha, adquirindo várias imagens com as esmolas dadas pelos fiéis.
Depois, tocado pelo ardente desejo de conquistar o povo que lhe fora confiado por Deus, desenvolveu intenso trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares, como nunca se tinha visto na Região. Dessa maneira, rapidamente ganhou a simpatia dos habitantes, passando a exercer grande liderança na comunidade.
Paralelamente, agindo com muita austeridade, cuidou de moralizar os costumes da população, acabando pessoalmente com os excessos de bebedeira e a prostituição. Restaurada a harmonia, o povoado experimentou, então, os primeiros passos de crescimento, atraindo gente da vizinhança curiosa por conhecer o novo Capelão. Para auxiliá-lo no trabalho pastoral, Padre Cícero resolveu, a exemplo do que fizera Padre Ibiapina, famoso missionário nordestino, falecido em 1883, recrutar mulheres solteiras e viúvas para a organização de uma irmandade leiga, formada por beatas, sob sua inteira autoridade.
Milagre
Um fato incomum, acontecido em 1º de março de 1889, transformou a rotina do lugarejo e a vida de Padre Cícero para sempre.
Naquela data, ao participar de uma comunhão geral, oficiada por ele na capela de Nossa Senhora das Dores, a beata Maria de Araújo ao receber a hóstia consagrada, não pôde degluti-la pois a mesma transformara-se em sangue.
O fato repetiu-se outras vezes, e o povo achou que se tratava de um novo derramamento do sangue de Jesus Cristo e, portanto, era um milagre autêntico.
As toalhas com as quais se limpava a boca da beata ficaram manchadas de sangue e passaram a ser alvo da veneração de todos.
Reação da Igraja
De início, Padre Cícero tratou o caso com cautela, guardando inclusive sigilo por algum tempo. Os médicos Marcos Madeira e Idelfonso Correia Lima e o farmacêutico Joaquim Secundo Chaves foram convidados para testemunhar as transformações, e depois assinaram atestados afirmando que o fato era inexplicável à luz da ciência. Isto contribuiu para fortalecer no povo, no Padre Cícero e em outros sacerdotes a crença no milagre.
O povoado passou a ser alvo de peregrinação: as pessoas queriam ver a beata e adorar os panos tintos de sangue.
O professor e jornalista José Marrocos, desde o começo um ardoroso defensor do milagre, cuidou de divulgá-lo pela imprensa.
A notícia chegou ao conhecimento do Bispo D. Joaquim José Vieira, irritando-o profundamente. Padre Cícero foi chamado ao Palácio Episcopal, em Fortaleza, a fim de prestar esclarecimentos sobre os acontecimentos que todo mundo comentava.
Inicialmente, o bispo ficou admirado com o relato feito por Padre Cícero, porém depois, pressionado por alguns segmentos da Igreja que não aceitavam a idéia de milagre, mandou investigar oficialmente os fatos, nomeando uma Comissão de Inquérito composta por dois sacerdotes de reconhecida competência: os Padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Ferreira Antero.
Os padres comissários vieram, assistiram às transformações, examinaram a beata, ouviram testemunhas e depois concluíram que o fato era mesmo divino. O bispo não gostou desse resultado e nomeou outra Comissão, constituída pelos Padres Antônio Alexandrino de Alencar e Manoel Cândido.
A nova Comissão agiu rapidamente. Convocou a beata, deu-lhe a comunhão, e como nada de extraordinário aconteceu, concluiu: não houve milagre!
O povo, Prof. José Marrocos, Padre Cícero e todos os outros padres que acreditavam no milagre protestaram.
Com a posição contrária do bispo, criou-se um tumulto, agravado quando o Relatório do Inquérito foi enviado à Santa Sé, em Roma, e esta confirmou a decisão tomada pelo bispo.
Todos os padres que acreditavam no milagre foram obrigados a se retratar publicamente, ficando reservada ao Padre Cícero uma punição maior: a suspensão de ordem.
Durante toda sua vida ele tentou revogar essa pena, todavia, foi em vão. Aliás, ele até que conseguiu uma vitória em Roma, quando lá esteve em 1898. Entretanto, o bispo, por intransigência, manteve-se irredutível na decisão tomada inicialmente.
Cem anos depois o milagre de Juazeiro foi alvo de estudos pela Parapsicologia. Segundo estudiosos dessa ciência, um caso de aporte foi o que teria acontecido com a beata. A tese do embuste, defendida por muitos padres e escritores, foi descartada pelos parapsicólogos.
Vida Política
Proibido de celebrar, Padre Cícero ingressou na vida política. Como explicou no seu Testamento, o fez para atender aos insistentes apelos dos amigos e na hora em que os juazeirenses esboçavam um movimento de emancipação política.
Conseguida a independência de Juazeiro, em 22 de julho de 1911, Padre Cícero foi nomeado Prefeito do recém-criado município. Além de Prefeito, também ocupou a Vice-Presidência do Ceará.
Sobre sua participação na Revolução de 1914 ele afirmou categoricamente que a chefia do movimento coube ao Dr. Floro Bartolomeu da Costa, seu grande amigo. A Revolução de 1914 foi apoiada pelo Governo Federal e tinha o objetivo de depor o Presidente do Ceará Cel. Franco Rabelo. Com a vitória da Revolução, Padre Cícero reassumiu o cargo de Prefeito, do qual havia sido retirado pelo governo deposto, e seu prestígio cresceu. Sua casa, antes visitada apenas por romeiros, passou a ser procurada também por políticos e autoridades diversas.
Era muito grande o volume de correspondências que Padre Cícero recebia e mandava. Não deixava nenhuma carta, mesmo pequenos bilhetes, sem resposta, e de tudo guardava cópia.
Encontro com Lampião
Com respeito a Lampião, Padre Cícero encontrou-se com ele em 1926. Aconselhou-o a deixar o cangaço, e nunca lhe deu a patente de Capitão, como foi dito em alguns livros. Na verdade, Lampião veio a Juazeiro a convite do Deputado Floro Bartolomeu para ingressar no Batalhão Patriótico e combater a Coluna Prestes. É possível que ele tenha usado o nome do Padre Cícero para tal, pois Lampião jamais recusaria um pedido de Padre Cícero. Dr. Floro não pôde receber Lampião e seu bando, pois já se encontrava no Rio de Janeiro para onde fora doente, chegando a falecer, coincidentemente, na época em que o famoso cangaceiro visitou Juazeiro. Como insistia em receber a patente de Capitão prometida por Dr. Floro, um dos secretários de Padre Cícero (Benjamim Abraão), convenceu Dr. Pedro de Albuquerque Uchoa, único funcionário público federal residente em Juazeiro, a assinar um documento por eles mesmos forjado, concedendo a famigerada patente, que tantos aborrecimentos trouxe ao Padre Cícero, a quem muitos escritores atribuem a autoria.
A verdade é que, mais tarde, Dr. Uchoa foi chamado a Recife para se explicar junto às forças armadas sobre a concessão da patente, e ele, naturalmente temendo ser punido, não encontrou outra solução senão atribuir tudo ao Padre Cícero, certo de que ninguém seria capaz de repreender aquele virtuoso e respeitado sacerdote. Quem conhece a índole do Padre Cícero sabe perfeitamente que ele seria incapaz de praticar ato tão abjeto.
Importância
Padre Cícero é o maior benfeitor de Juazeiro e a figura mais importante de sua história. Foi ele quem trouxe para Juazeiro a Ordem dos Salesianos; doou os terrenos para construção do primeiro campo de futebol e do aeroporto; construiu as capelas do Socorro, de São Vicente, de São Miguel e a Igreja de Nossa Senhora das Dores; incentivou a fundação do primeiro jornal local (O Rebate); fundou a Associação dos Empregados do Comércio e o Apostolado da Oração; realizou a primeira exposição da arte juazeirense no Rio de Janeiro; incentivou e dinamizou o artesanato artístico e utilitário, como fonte de renda; incentivou a instalação do ramo de ourivesaria; estimulou a expansão da agricultura, introduzindo o plantio de novas culturas; contribuiu para instalação de muitas escolas, inclusive a famosa Escola Normal Rural e o Orfanato Jesus Maria José; socorreu a população durante as secas e epidemias, prestando-lhe toda assistência e, finalmente, projetou Juazeiro no cenário político nacional, transformando o pequeno lugarejo na maior e mais importante cidade do interior cearense.
Os bens que recebeu por doação, durante sua quase secular existência, foram doados à Igreja, sendo os Salesianos seus maiores herdeiros.
Ao morrer, no dia 20 de julho de 1934, aos 90 anos, seus inimigos gratuitos apregoaram que, morto o ídolo, a cidade que ele fundou e a devoção à sua pessoa acabariam logo. Enganaram-se. A cidade prosperou e a devoção aumentou. Até hoje, todo ano, religiosamente, no Dia de Finados, uma grande multidão de romeiros, vinda dos mais distantes lugares do Nordeste, chega a Juazeiro para uma visita ao seu túmulo, na Capela do Socorro.
Padre Cícero é uma das figuras mais biografadas do mundo. Sobre ele, existem mais de duzentos livros, sem falar nos artigos que são publicados freqüentemente na imprensa. Ultimamente sua vida vem sendo estudada por cientistas sociais do Brasil e do Exterior.
Não foi canonizado pela Igreja, porém é tido como santo por sua imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil.
O binômio oração e trabalho era o seu lema. E Juazeiro é o seu grande e incontestável milagre. Em março de 2001, em eleição promovida pelo Sistema Verdes Mares de Televisão, Padre Cícero foi escolhido O CEARENSE DO SÉCULO
Bibliografia
DELLA CAVA, Ralph. Milagre em Joaseiro. 2 ed. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1985.
FORTI, Maria do Carmo P. Maria de Araújo, a beata do Juazeiro. São Paulo: Edições Paulinas, 1991.
GUEIROS, Optato. Lampeão. 2 ed. São Paulo, 1953.
MENEZES, Fátima. Lampião e o Padre Cícero. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1985.
OLIVEIRA, Amália Xavier de. O Padre Cícero que eu conheci. 3 ed. Recife: Editora Massangana, 1981.
SOBREIRA, Azarias. O Patriarca de Juazeiro. Petrópolis: 1968.
Fonte: Sfiec